sexta-feira, 8 de agosto de 2008



Foto - Benjamim Figueiredo ( Médium do Caboclo Mirim )

UmbandaA centelha de vida


Mensagens do Caboclo Mirim recebidas por Benjamim Figueiredo, Primaz de Umbanda e presidente da Tenda Espírita Mirim. (Do livro Okê Caboclo! – 1952.)

O homem, este ser emocional, inocente e puro, desprevenido pela falta de uma boa escola da vida no terreiro da natureza, vai se deixando envolver pelas expressões externas e passageiras, aceitando tudo pela transmissão dos seus cinco sentidos, sem, no entanto, verificar que tudo que existe de material são simples degraus que formam a passagem sublime no seu próprio caminho.Está certamente na forma de curiosidade interesseira expansão reacionária do corpo emocional do homem. Quanto mais o homem se ligar violentamente ao mundo objetivo, mais vai alimentando o poderio do seu corpo emocional que se vivifica pelo acordo das teimosias do homem objetivo, fornecendo vitalidade ao corpo emocional e recebendo todos os direitos adquiridos que o próprio corpo emocional do homem impõe à liberdade do homem. Sabemos que o corpo emocional do homem é uma forma abstrata, sem organismo físico, mas que vive inteiramente da fisiologia do homem.


Ele recebe todas as vibrações do corpo físico, e, ao entrar em contato com o corpo somático, estabelece uma atração de ordem natural. Registram assim, as sensações físicas desorganizadas pelo homem, transmitindo-as à grande sutileza do corpo somático, criando o entusiasmo do homem pelo homem. Reside nesta ligação o único segredo que o homem precisa conhecer para saber usar com disciplina o seu corpo físico, a fim de organizar uma perfeita união entre ambos e conseguir anular saudavelmente o grande desacerto dos seus sentimentalismos. Naturalmente o nosso corpo emocional já se tornou um grande patrimônio afetivo que domina inteiramente todos os nossos propósitos.


Situação perfeitamente lógica, porque cada um de nós continua teimosamente a usar muito mal a vida e os movimentos de uma ligação imperfeita que colabora para a formação do ambiente desajustado na vida-forma que teremos de passar. Se o homem ainda tem grande necessidade de viver na forma física, terá certamente de encontrar os meios capazes de resolver o seu grande problema.


Enquanto não conseguir equilibrar-se satisfatoriamente, arrastará consigo todas as conseqüências de sua teimosia e ficará permanentemente sujeito aos desmandos da própria desarmonia intransigente.


Não será fácil o homem conseguir dominar o imperativo do seu corpo emocional: terá sempre neste setor de sua vida orgânica o grande e único segredo de que só tomará conhecimento pela aplicação de um sentir saudável. Conseguirá, assim, descondensar-se pouco a pouco, sem prejuízo dos valores emotivos, estabelecendo uma ligação tranqüilizadora entre a vida sublime do corpo físico e a sublimidade do corpo somático. Se não existisse uma perfeita cooperação da harmonia entre a vida do nosso corpo físico e a vida do corpo da própria vida, como poderia o homem, na situação da personalidade ativa, ter contato com todos os assuntos e deles tirar a própria sensibilidade manifestada para ensinar ao homem o caminho do sentir saudável? Naturalmente já podemos compreender que o corpo físico do homem não possui sensibilidade própria, para não prejudicar a ação da sua centelha de vida. O objetivo da vida condensada não é dar expansão a caprichos, que em si mesmo não existem, mas sim, proporcionar como força sublime de um ser da natureza o grande aproveitamento da presença de uma força de energia superior, que se utilizará dessa oportunidade para, através da radioatividade do corpo somático se ligar inteiramente como ação positiva na vida manifestada. Todas as manifestações sensíveis são produzidas pelo corpo somático, como intermediário que é entre a vida descondensada e a vida condensada.


O corpo físico do homem é um ser passivo que, pela própria natureza de aperfeiçoamento na escala fisiológica, pode tornar-se ativo quando movimentado pela ação somática da irradiação de uma centelha de vida. Reside justamente nesta grande particularidade física e somática do homem o segredo originário de todas as suas atividades. É esse conjunto que autoriza, pela sua expansão, todos os movimentos emocionais sentimentalistas e de completo apego à própria situação. Naturalmente que essa pequena semente plantada no terreiro da natureza, como princípio originário da vida, vai pouco a pouco se desenvolvendo e com ela própria defesa instintiva de emotividade e sentimentalismos, pelo grande apego da própria existência, até formarem o grande patrimônio moral materializado, que forma o homem ainda inferior. A nossa situação é, pois, o produto direto de uma formação de natureza material da vida condensada. Assim, tudo está inteiramente certo. A natureza não erra na contextura da sua organização, puramente formada em obediência às leis que governam a vida descondensada. A organização da personalidade do homem se faz pela realização paulatina operada nos três fatores fundamentais da vida manifestada. O homem formado desses três elementos que são organismos condensados tem no sentimental, emocional e somático (físico), a base constitutiva da forma que se manifesta no terreiro da natureza: primitiva, inferior e superior.


O corpo físico é formado pela grande harmonia do corpo somático, que organiza o grande maquinismo interno para receber o combustível da natureza, conservando acesa a chama sagrada da própria vida.


O corpo físico tem ainda um grande lençol (pele) devidamente rendado (poros) que permite a respiração prânica para vitalizar e arejar esse grande maquinismo.


É certamente a vida somática que opera como elemento fertilizante, preponderando para sua vitalização particular, mantendo assim a ação da forma e dos movimentos. A vida do corpo físico do homem, pela sua natureza de existir, produz rituais que criam vibrações de magia, contaminando os instantes do tempo para formar externamente o seu próprio ambiente, ao qual fica subordinada.


Esse conjunto de três elementos é constituído por forças desiguais, possuindo, cada um, uma utilização toda especial na aplicação da vida manifestada. Pela experiência do poder diretivo de centelha de vida que está presente, esse conjunto se aplica de maneira primitiva, dando ao homem o direito de viver o seu período de primitivismo.


Sabemos perfeitamente bem que o homem primitivo é inteiramente puro e inocente, porque vive da sua suprema ignorância. Nesse período de vida aplicada ele vai adquirindo conhecimentos que lhe são fornecidos pela grande admiração de sua curiosidade instintiva. Esse período é sempre relativamente curto, porque a sua capacidade aquisitiva de curiosidade não tem ainda valor de maldade, nem autoridade moral inferior para levá-lo a uma demora desnecessária. Quando esse pequeno mundo está formado para ele, começam a germinar uma série de atividades íntimas de vidas inferiores, como resultado lógico de uma aplicação primitiva, que vai formando o grande potencial que dará orientação diretiva de conhecimentos sentimentalistas.


O homem é como todos os seres da sua Natureza, só desperta quando sacudido por uma força superior à sua, para verificar que deve reagir conscientemente e começar a explicar por sua vontade todos os fatos e fenômenos que se processam. O homem primitivo é aquele que ainda vive os seus sentimentos, sem qualquer compreensão consciente: tudo nele é natureza adormecida, quer tudo sem saber por que e vive somente o desejo de agradar à sua moda as próprias vontades da curiosidade instintiva, não tendo absolutamente qualquer noção do que esteja fazendo. Esses homens são como as crianças, que precisam se alimentar sem saber que estão com fome. Naturalmente, já sabemos que dentro do terreiro da natureza nada se perde, tudo se transforma. Assim também o homem primitivo vai se transformando pouco a pouco até atingir o segundo período de homem inferior. Ele inicia então seus entendimentos para dar uma direção interpretativa aos fatos que se sucedem em torno de si. A vida é perfeita e absoluta, e ela própria favorece até mesmo o homem, quando, no seu período inferior, consegue entende-la na relatividade da sua opinião grosseira. Vivendo como vive, da admiração curiosa da vida externa, ela terá que traduzir com os espantos da ingenuidade tudo aquilo que vai percebendo. Todo homem inferior só pode realizar inferioridade, acrescida ainda do enorme poder aquisitivo que o vai prendendo cada vez mais à preocupação permanente da agitação do seu corpo emocional: ele pode justificar-se pela explicação de suas emotividades. Não tendo ainda adquirido sua própria liberdade sadia, ele vive como escravo dos sentimentalismos ilusórios, que ainda exercem uma grande influencia sobre o seu governo em estado adormecido.


O homem inferior é aquele que ainda não pode fazer uso próprio do seu corpo mental; vive das conclusões externas, observada pelos cinco sentidos. É aquele que não pode sentir a vida, porque deseja apenas compreendê-la no vazio de sua imaginação. Enquanto no homem primitivo não existe quaisquer parcelas de responsabilidade sobre as suas atitudes, no homem inferior começam os primeiros lampejos de uma atenção que se vai despertando pouco a pouco, fazendo acordar nele os primeiros interesses pessoais. E é pelo despertar desses interesses que o homem vai constituindo seu próprio patrimônio, que apesar de não ter nenhum valor para a realidade de sua vida sublime, não deixa de ser um dos caminhos de experimentação para amadurecer, através de longo período, todos os desatinos despertados pela incompreensão, até conseguir adormecer saudavelmente, um por um, proporcionando-lhe o sossego.

Nenhum comentário: